Como fazer cookies com gotas de chocolate


Depois que as águas de março fecharam o verão – esse era o combinado, apesar desse calor infernal – a temperatura vai caindo até o ponto em que é socialmente aceitável andar de meias pela casa.
O clima mais frio é um convite para atividades mais aconchegantes, e nessa hora saber propiciar conforto dentro de casa é fundamental. Pensando nisso, resolvi compartilhar, passo a passo, o processo de assar cookies com gotas de chocolates. É extremamente fácil de fazer e causa uma grande impressão. Agora vai aprender a fazer cookies com gotas de chocolate. Lide com isso. Você vai precisar de:

- Farinha de trigo
- Açúcar cristal
- Açúcar mascavo
- Ovos
- Manteiga
- Essência de baunilha
- Sal
- Fermento
- Um tablete de chocolate meio amargo (180g)

O primeiro passo é picar a barra de chocolate em pedacinhos, que serão incorporados à massa depois. Se quiser, pode amolece-la antes no microondas, por não mais do que alguns segundos.


Depois, em uma tigela, misture duas xícaras de farinha de trigo, três quartos de xícara de açúcar cristal e outros três quartos de xícara de açúcar mascavo. A seguir, coloque duas colheres de chá (aquela menorzinha) de essência de baunilha, duas colheres de sopa (aquela normal) de manteiga, uma pitada de sal e três ovos. A parada deve estar com essa cara aqui:


Adicione uma colher de sopa de fermento e misture tudo, até a massa ficar com uma cor marrom uniforme. Depois, acrescente os pedaços de chocolate e misture mais um pouco. A massa estará pronta e pode ser conservada desse jeito por algum tempo. Assim você não precisará assar tudo de uma vez.
Feito isso, é hora de preparar a forma. Esfregue um pedaço de manteiga na forma até criar uma camada fina em toda a superfície dela, depois vá jogando um pouco de farinha de trigo e chacoalhando, dando tapinhas no lado da forma, para espalhar a a farinha por cima da manteiga. Essa fina camada de manteiga e farinha vai fazer com que os cookies não grudem na forma.
Com uma colher, retire pedaços da massa e coloque-a na forma, de forma que cada cookie não seja muito maior do que um relógio de pulso:



Pronto. Agora, aqueça o forno a 180º por vinte minutos e deixe os cookies lá por pelo menos outros vinte, ou até dourarem.


Post original postado por www.papodehomem.com.br

Free hugs (ou “por que abraçar gente desconhecida, exceto mendigos”)


— Leva uma Nossa Senhora, “dotô”. Por cinco reais, o “sinhô” fica com a imagem e uma cruzinha – diz a ambulante na escadaria da catedral, inclinando a cabeça e levantando a sobrancelha alva, em gestos suplicantes. De sua mão trincada pela idade saltam imagens de santos diversos; dependuram-se dos dedos calejados pequenos crucifixos. O dia na Praça da Sé se faz cedo e antes.

O dia nasce antes na Praça da Sé (Foto de Daniela Ortega)

Às 8h51 de um sábado frio, já havia vestígios de vida naquele lugar: vendedores, engraxates, corpos maltrapilhos, curiosos, turistas. Atrás da catedral, um corpo mutilado mendiga com a mão estendida, sem rogar palavra alguma. Na praça defronte à bela construção, por outro lado, as vozes são muitas. Os sotaques se confundem ali naquele lugar, símbolo do centro velho, reduto de nortistas e imigrantes latinoamericanos que buscam na cidade de pedra uma redenção do acre de sua terra natal, sem imaginar que o agreste pode ser aqui, em São Paulo. Enquanto um jovem venezuelano logra meia dúzia de passantes com uma bolinha vermelha que some de um copo para aparecer em outro, quatro homens jogam cartas por sobre o mármore do marco zero, monumento que indica todas as rodovias que partem de São Paulo. Entretidos no carteado, eles não percebem que, dali, podem seguir para qualquer lugar do Brasil, e se deixam estar perdidos no mundo. Eles não são os únicos ali.
Distribuídos entre os cento e setenta e dois passos que separam a estátua do Padre José de Anchieta da Catedral Metropolitana da Sé estão homens-placa, que empunham dizeres como “Compra-se ouro” e “Atestado de saúde”. Há doze deles espalhados no perímetro, e parecem todos iguais: estatura mediana, cabeça raspada, bigode parco. São todos mulatos, evidência de que o mercado de subempregos tem seus eleitos.

***

Passava das nove horas quando, em meio às placas de ouro e atestado médico, estrategicamente posicionados em frente ao posto móvel da Polícia Militar, surgem três cartazes brancos, de feitura artesanal. Em caneta esferográfica azul, trazem as inscrições “Free hugs” de um lado e “Abraços grátis” no verso. Letras de forma, todas em caixa alta. Sob um dos painéis de cartolina, Solange está paramentada do constante sorriso acolhedor e de esdrúxulos óculos amarelos. Busca chamar a atenção.
Acompanhada da irmã e do marido, Solange se mexe na praça como uma menina num parque. Buliçosa, ela gesticula, levanta os braços, saltita. Zanza de um lado a outro, sempre posando um riso convidativo. Seu 1,65 metro e sua disposição escondem seus 41 anos. É uma mulher feliz, apesar do contato diário com a pobreza da zona leste.
Solange é florista autônoma e sabe que nem tudo são flores nesta vida. Por isso veio cedo à Praça da Sé oferecer abraços à gente estranha. Olhos curiosos miram a mulher, como o do senhor com calças maiores que as pernas e camiseta laranja berrante que, arrastando o chinelo de dedo, vai e volta, para e observa, sem saber ainda o que todo aquele furdúncio significa. Solange atrai outros olhares – uns mais ébrios, como o do senhor de laranja; outros menos, como o de Cícero Júlio.
A camisa do Vasco dissimula a naturalidade alagoana de Cícero. Aos 42 anos, o ajudante de caminhoneiro corta os 20 quilômetros que separam a Praça da Sé de Diadema em busca de distração. Naquele dia, espantou-se ao ver Solange, o marido e a irmã com óculos coloridos e as cartolinas em riste. Cruza os braços pardos e leva a mão ao queixo de barba rala, sem saber ao certo o que fazem aqueles três sujeitos fantasiados a ofertar abraços. A curiosidade nos olhos diminutos é nítida e, por nove minutos, o homem pondera se se aproxima do trio ou se fica ali, parado na banca-barbearia de um colega. Acaba indo. Deixa-se abraçar. Justifica-se num cochicho a Solange:
“Eu te vi abraçando e me lembrei de minha esposa e dos meus filhos.”
Volta com um sorriso novo e redondo no rosto, e a cabeça nos filhos Adriano, André e Daiana, e na esposa Ednilza.
O transe é desfeito aos gritos. Alguns metros distante de Cícero, um bêbado, sem parar de andar um instante, berra à irmã de Solange.

— Você pensa que é salvadora da pátria? Salvadora é o caralho. Tá me tirando de trouxa? Hein, tá me tirando de trouxa? – diz um homem enquanto arregaça as mangas do moletom cinza para que seus gestos tenham mais espaço. Levanta uma mão aos céus e leva a outra à cabeça, como quem não crê na gratuidade do gesto de Solange. Continua a caminhar passos trôpegos, e os gritos vão fenecendo. Esvai-se o som por completo, enfim. Afastado do grupo, o homem ainda olha, pasmo.

Quem assiste a tudo gargalha do bêbado, assim como riem Solange e sua irmã. Apoiado o queixo no cabo imóvel da vassoura de piaçaba, um gari sussurra ao colega:
“Se fosse sexo grátis, eu tava ‘envorvido’.”
O companheiro acha graça e ri seus dentes falhados. Ficam sem abraço e sem sexo.
Nem todos acreditam que os abraços sejam, de fato, gratuitos. Foi assim, por exemplo, com o australiano Juan Mann, inspirador do movimento internacional “Free hugs”.

Juan Mann, o homem que idealizou o Free hugs.

Juan desembarcou em Sidnei no começo de julho de 2004. Voltava de Londres, “quando meu mundo estava de cabeça para baixo”. Ao chegar à capital australiana, terra natal, tinha apenas uma mala com roupas – ninguém o esperava no aeroporto. Enquanto outros passageiros encontravam rostos conhecidos e cumprimentos calorosos, Juan tinha como companhia apenas a vontade de sentir aquele calor humano: precisava de gente. Em posse de papel cartão e um marcador, escreveu “Free hugs” em ambos os lados e foi a uma das ruas mais movimentadas da cidade, a Pitt Street. Demorou quinze minutos para Juan ganhar o primeiro abraço.
O gesto do rapaz foi seguido por outros homens e mulheres, de diferentes crenças, mas com a certeza de que abraçar não poderia trazer o mal. Parecia consenso, exceto para a guarda civil, depois a polícia e, então, as autoridades locais, que impuseram barreiras – como um seguro estipulado em vinte e cinco milhões de dólares que deveria ser previamente pago para o caso de alguém sofrer danos com aquela ação. A intenção era banir o embrião do que hoje é um movimento internacional. Juan conseguiu 10 mil assinaturas em petição a favor do “Free hugs”, o que desarmou as autoridades.
Ainda hoje, há cisma de que o movimento não tem legitimidade e seja deletério. Esta sensação torna-se maior a cada novo abraço dado. Foram mais de cinquenta até o meio-dia, e em todos Solange esboça suspiros de dever cumprido.
Cumprido? Mendigos não foram abraçados. Bêbados, quase nunca.
O gesto de afeto direciona-se exclusivamente aos semelhantes: trabalhadores, transeuntes em situação financeira mais ou menos confortável, estudantes bem apanhados. Aquele cambaleante senhor de camiseta laranja de gola esgarçada, calça moletom furada e chinelo cerca Solange, anda de lá para cá, olha e torna a olhar. Destoa da paisagem com a cor de suas vestes. Solange o ignora, mas não pode evitá-lo. O senhor de laranja apenas observa o aglomerar de gente que se abraça e se alinha para a foto, desejoso de fazer parte daquela imagem. Por desleixo do fotógrafo, acaba saindo no retrato, porém afastado do grupo da qual não faz parte.
O sentimento de pertença é algo raro em São Paulo, a cidade da megalomania. Quem constrói essa riqueza são seus 11 milhões de habitantes espalhados pelos 1,5 mil quilômetros quadrados – mais de 7 mil por quilômetro quadrado. Tanto espaço e tanta gente para que, no final das contas, eu não saiba o nome do meu vizinho de andar, do meu colega de trabalho, do chapeiro que toda manhã faz meu misto-quente. A facilidade de locomoção e de comunicação da nossa época é a janela aberta para que fiquemos parados e calados sem culpa – viveríamos em coletividade, se quiséssemos. Mas não queremos.
A miríade de gente que circula na Praça da Sé contrasta com os homens, mulheres e crianças que conversam só. Sujeitos que falam ao nada, pensam alto, gesticulam, esbravejam, xingam. Dialogam sabe-se lá com quem. Quiçá consigo mesmos, fazendo as vezes de ambos os interlocutores, já que ninguém lhes dirige a palavra.

Mendigos não ganham abraços

A tecnologia amplia o hábito de falar sozinho. Um bêbado de olhos caídos, camisa maior que o mirrado corpo e calça branca, marrom de sujeira, bambeia até encontrar o telefone público. Reverbera sua embriaguez no bocal do aparelho. Em seu desvario etílico, gargalha de uma piada que não houve para, então, cessar o riso e terminar o “diálogo” com uma assertiva:
“São Paulo é feia.”
O homem é Seu Joaquim, dito contabilista. Veio de Rondônia para conhecer a megalópole, e não sabe quanto tempo fica. Também não sabe se volta. Nada sabe Seu Joaquim, que viajou mais de 3 mil quilômetros para, enfim, se perder em São Paulo. E não ganhar abraço de viva alma.
Também se sente sozinho o estudante Leandro. Aos 18 anos, o paulistano acaba de entrar na faculdade de Turismo. Faz trabalho em grupo na Praça da Sé naquela manhã e, apesar de “em grupo” significar mais de um, ele está sozinho naquela parte da praça, enquanto suas duas colegas papeiam com um grupo de rapazes ao largo. Prancheta nas mãos, Leandro sai em busca de saber a opinião dos transeuntes a respeito da Sé, da catedral, da praça, do ponto turístico, da vizinhança. Repete as perguntas sempre com um meio tom a menos na voz. A timidez se apresenta na voz baixa, nos olhos que buscam o chão durante o papo, nos gestos comedidos.
Quando se aproxima de Solange para mais bateria de perguntas, é surpreendido por um abraço. Deixa-se abraçar, e os dois tapinhas nas costas de Solange indicam que Leandro não é muito íntimo de demonstrações públicas de afeto. Principalmente entre desconhecidos. Quando as colegas se aproximam, ele ainda está ruborizado.

— Você foi lá pedir abraço?

— Ah, eu fui falar com a moça e ela me abraçou.

— E você deixou?

— Eu deixei, ué! Quem faz esse tipo de coisa não tem maldade no coração.

— Cê ia abraçar gente estranha se fosse lá perto da sua casa, na Zona Leste?

— Lá eu conheço todo mundo. Mas se não conhecesse, não abraçava, não. Tem muita maldade no mundo…

***

A simples presença do senhor de laranja começou a intrigar os abraçadores. Solange e os outros dois posicionaram-se em frente ao posto móvel da Polícia Militar justamente para evitar qualquer problema. Afinal, “a Praça da Sé é um lugar pouco seguro, com um pessoal esquisito”. O maltrapilho de camiseta berrante não chega a ser uma ameaça – mais um estorvo. Um estorvo com olhos rogativos. Sem ter como lidar com aquele mirrado corpo que circunda o trio, quase a implorar que lhe deem atenção, Solange se aproxima. De braços abertos, curva o tronco para não sentir o corpo alheio durante o contato. Abraça o senhor de roupa de cor excêntrica.

— Você é gente fina – retribui o homem, que em momento algum estende os braços a Solange. Visivelmente emocionado com o gesto da mulher, afirma que ela “é do coração”.

Enquanto afasta sua pequenina figura, permite que o olhar fique perdido em Solange. Apenas se dispersa quando o amigo de barba crespa e voz grossa, que todo o tempo estava na praça, berra “cadê o litro?”, impacientado com a demora do companheiro de gargalo, e os dois saem à caça de cachaça.
Já era mais de meio-dia quando Solange, o marido e a irmã abaixaram seus cartazes. Sem alarde, deixam a Praça da Sé. Agradecem aos soldados da Polícia Militar por estarem ali, mesmo que não tivesse sido necessário acioná-los.
As manhãs de sábado reservam à Praça da Sé uma média de 20 queixas ao posto móvel da Polícia Militar. A maioria dos casos reportados diz respeito a furto de aparelho celular. Naquela manhã, porém, não houve sequer um relato.

Desabafo sincero


Olha eu aqui de novo imitando os posts do Miguel Solano... Bom, vamos ao que interessa, nada se cria, tudo se copia, edita, modifica e pronto. Assina embaixo como se fosse seu. ;D
Quem mora no Rio, sabe que está um calor dos infernos aqui, se bem que acho que o inferno deve estar mais agradável, mas enfim, tá um calor insuportável e hoje a chuva resolveu cair.

Se é que podemos chamar aquele chuvisco chato de chuva, mas aqui é Brasil e o povo é louco. Fui para o terminal pegar o ônibus (É, sou quase o Hércules. Eu pego o ônibus.) como de costume. Já imaginava um certo trânsito, afinal choveu em Niterói, é um fato que o trânsito vai engarrafar...


O ônibus chegou, subi nele e sentei numa janela. Estava muito abafado, mas como chovia, vi pessoas que eu costumo chamar de malucas, fechando as janelas. A minha estava aberta e permaneceria aberta mesmo que Deus mandasse bolas de fogo do céu. Prefiro levar uma bolada de fogo a sentir calor com ela fechada.


Vento no rosto durante a viagem, algumas gotas (que não molham nem o meu anão escravo do Camboja)  começavam a cair dentro do busão por causa da minha janela. Foi quando uma mulher sentada atrás de mim disse:


"Você poderia fechar a janela? Está me molhando."


Estava com meus fones de ouvido. Não sou funkeiro e respeito as pessoas. Com fone de ouvido, minha música (Banda Felter, Tim Bendzko, Jay Vaquer, Olly Murs...) fica muito melhor... Essa frase roubei do ônibus que pego quando durmo na minha tia. ;D


Batidinha no ombro e um novo pedido.


"Pode fechar a janela? Está molhando a gente aqui atrás."


Olho pra ela bem firme e super simpático (Nasci assim.) e digo:


"Me desculpe a pergunta, mas pra onde você está indo?"


"Pra casa."


"E você está com guarda chuva?"


"Não."


"Então pra quê se preocupar com umas gotinhas de água se vai se molhar quando descer do ônibus? Tá muito calor pra fechar a janela. Desculpa aí."


Silêncio e eu penso: "Isso sim foi um tapa na cara da sociedade!"


Minha janela permaneceu aberta até a hora em que eu desci do ônibus e ninguém mais disse nada. Peço sempre a Deus que me ilumine pra ter paciência com essas pessoas que se trancam com uma merda de um chuvisco, mas minhas preces, infelizmente, não estão sendo atendidas... pow, Deus.


É isso. Quer melhor? Se joga na frente do trem pra virar notícia no Meia Hora. Sem mais.


Ass.: Rodrigo Santos

A primeira Copa


— Senhor?

— Pois não?

— Adão na linha três.

— Pode passar.

— Alô?

— Oi, Adão.

— Oi, Deus. Tudo bem?




— Tudo e você?

— Mais ou menos. Será que o Senhor pode me tirar uma dúvida?

— Posso tentar. Diga.

— Prensada é da defesa?

— Prensada o quê?

— Prensada é da defesa?

— Adão, do que você está falando?

— Nós estávamos jogando futebol aqui embaixo e a bola saiu pela linha de fundo. Tem uns macacos aqui estão falando que agora é tiro de meta, porque bola prensada é da defesa.

— Adão…

— Eu acho que é escanteio. O Senhor não acha?

— Eu não sei. Eu não vi o lance.

— Mas independente disso, esse negócio de prensada é da defesa não é bobagem?

— Não sei, Adão. Creio que sim.

— Arrá! Vou falar isso para os macacos!

— Certo.

— Aliás… O que o Senhor acha de elaborar umas regras oficiais?

— Como assim?

— Escrever umas regras de verdade, porque os jogos aqui no Paraíso estão sempre terminando em briga. O Senhor poderia colocar as regras em uma ou duas tábuas, sei lá… Algum lugar onde todos pudessem ver. Assim não teríamos mais problemas como esse.

— Não, Adão. Eu já pensei nesse negócio de escrever em tábuas, mas estou guardando para outra coisa.

— Certo. Não precisa ser tábua. Mas, mesmo assim, umas regras viriam bem a calhar. Por exemplo, sobre o goleiro e fazer cera.

— Cera? As abelhas estão jogando também?

— Não, não é cera de abelha. Por exemplo, ontem nós jogamos contra um time de bichos-preguiça. Fizemos uma bobagem na defesa e tomamos um gol no começo do jogo. Dois minutos depois, eles atrasaram a bola para o goleiro e ele demorou trinta minutos para repor a bola em jogo. Ficou lá, deitado, agarrado na bola, sem fazer nada.

— Bem, Adão…

— Isso sem falar nos felinos! Semana passada nós jogamos contra eles e perdemos de oito a zero. Quem fez os gols foi o guepardo, jogando aberto na ponta, mas ele estava impedido em todos os lances. Ele é muito rápido, então entrava sempre sozinho na área.

— Mas vocês certamente podem se entender aí embaixo com isso.

— No caso dos bichos-preguiça, sim. Mas com os felinos, ninguém teve coragem de reclamar com o guepardo. Então ficou por isso mesmo. Por isso que umas regras oficiais ajudariam bastante. Poderíamos até fazer um campeonato.

— Campeonato?

— Sim. Todas as espécies jogando entre si. O que o Senhor acha? Iria promover a integração entre os animais. Fora que daria cada jogão…

— Hum… Até que é uma boa ideia. Mas seriam jogos demais.

— Não se dividirmos os animais em grupos. Cada grupo tem quatro times. E o vencedor de cada grupo enfrenta o vencedor de outro grupo. Quem perder é eliminado. Até sobrarem somente dois, que fazem o jogo final! E o Paraíso inteiro iria assistir a este jogo!

— Gostei. Gostei mesmo. Boa ideia. Estou orgulhoso de você, Adão.

— Obrigado.

— Então vamos fazer assim. Eu vou escrever as regras e elaborar um campeonato. Mas, Adão, você precisa me prometer uma coisa.

— Diga.

— Você vai ganhar essa Copa. Você e os macacos.

— Bom, vamos tentar…

— Não, Adão. Eu preciso que o seu time ganhe. Porque você é criado à Minha imagem e semelhança. Seria feio para mim se você perdesse.

— Bem, Senhor, temos outros times fortes aqui. Por exemplo, os elefantes, que entram com seis na defesa e ficam chutando bola para a torcida. É impossível fazer gol ali. Isso sem falar no jogo aéreo das girafas, é sempre um perigo.

— Não Me importa, Adão. É importante que você e seu time ganhe.

— Como eu disse, Senhor, faremos o possível. Mas, o Senhor sabe que futebol é uma caixinha de surpresas.

— Como?

— Futebol é uma caixinha de surpresas.

— De onde você tirou esta frase?

— Não sei. Acabei de inventar, acho.

— Bom, deixa para lá. Tenho uma ideia. Tem um anjo aqui que adora futebol. Ele está sempre vendo vocês jogarem daqui de cima, dando palpites sobre posicionamento, essas coisas. Que tal se eu pedir para ele descer até aí e treinar vocês?

— Putz! Seria ótimo!

— Então falarei com ele.

— Certo!


Felipão dando carrinho: um dos últimos praticantes do futebol A.C.


— Bem, recapitulando. Eu preciso falar com o anjo, escrever as regras e elaborar o campeonato. Algo mais?

— Arrumar uma bola também seria legal.

— Bola? Vocês não têm bolas aí?

— Não. Nós jogamos com cocos. Uma bola iria melhorar bastante as coisas aqui.

— Certo. Vou ver o que consigo. Até logo, Adão.

— Tchau!

Assim, duas semanas depois, começou a Primeira Copa do Mundo. Ou, ao menos, do Paraíso, que na verdade era o mundo inteiro naquela época.

E o time dos primatas começou bem. O anjo-técnico havia montado o time com um macaco-aranha no gol, dois gorilas na defesa e um babuíno de volante. Na frente, Adão jogava adiantado e de costas para o gol, fazendo o trabalho de pivô para os chipanzés que avançavam do meio de campo.

No primeiro jogo, ganharam por três a um de um combinado de antas e tamanduás. No segundo jogo, empataram sem gols com o time dos hipopótamos. A fase dos grupos foi fechada com uma goleada de sete a zero em cima de um time composto por focas e ariranhas, que estranharam o gramado seco e não conseguiram se entender em campo.
Campeões do grupo, os primatas foram para as oitavas de final como grandes favoritos. Especialmente porque o adversário (um combinação de lhamas e carneiros) não impunha muito respeito.

Mas a tragédia foi total: mal posicionado, o time dos primatas não fazia a bola chegar ao ataque. E tudo piorou quando o anjo-técnico tirou Adão do time e colocou um mico-leão de centroavante. Perdido entre as lhamas, o pequeno animal nada conseguiu fazer. Perderam de um a zero. Eliminação precoce.

No dia seguinte, começaram os rumores. Descobriu-se que o técnico era amigo do agente do mico, e o colocara em campo apenas para que ele tivesse visibilidade e fosse vendido para outro time. Todos passaram a suspeitar de que o treinador tinha interesses financeiros na transação e o clima ficou pesado.

Sem alternativas, Deus chamou o anjo para uma conversa.

Pouco menos de uma hora depois, o treinador foi demitido do cargo e, de quebra, também perdera o posto de anjo.

E assim Lúcifer se tornou o primeiro técnico caído da história.


Texto: Rob Gordon em PapoDeHomem.com.br

O problema chamado carnaval


Odiar é uma palavra muito forte, eu sei, mas eu odeio o carnaval. Não o carnaval propriamente dito, pois o feriado e seus verdadeiros valores são legais; mas no que ele se tornou.

O carnaval de hoje em dia é um mix de hipocrisia, mulheres peladas, bêbados e multidão (não que eu não goste de mulheres peladas, mas a qualidade diminui muito nessa época). Muitos amigos dizem que eu ainda preciso ser apresentado ao verdeiro carnaval. O carnaval dos blocos de rua, das troças, dos verdadeiros foliões… Mas não tem jeito. Só de falar, já fico com vontade de me esconder. Sem contar que é uma época muito preconceituosa, pois se você não curte, vai ter ficar em casa mofando e vendo TV. Por isso procuro sempre ter idéias alternativas pra curtir meu feriado, sem ser um folião. Mas não existem idéias alternativas. Tudo está ligado ao carnaval. Shopping, cinema, bares, restaurantes… a maioria não fica à disposição. E quando ficam, eu não vou sozinho, né? Não sou tão Forever Alone assim.

O carnaval é a pior época do ano para quem odeia o carnaval. É a época que você leva mais sobradas. Você liga para um certo alguém, na esperança de conseguir companhia para seus programas alternativos, e ouve algo do tipo "Vou pra folia com a galera. Não vai não?". É o pior tipo de fora que existe: verdadeiro e sem direito de resposta. E acabo voltando a procurar, em vão, idéias longe do carnaval.

Tem uma coisa interessante no Carnaval que se chama "Pessoas". Elas parecem que perdem a memória durante essa época desgraçada. Como assim, Miguel? Vou explicar, começando pelas mulheres.

Durante o carnaval, a mulher parece que perde toda a integridade que levou anos para construir. Sabe aquele argumento de que 'Mulher não é brinquedo, pra você usar e jogar fora'? Parece que nada disso faz sentido durante o carnaval. Elas viram brinquedo dos homens, saem às ruas com roupas minúsculas e pegando geral. Conheço mulheres que não começam a namorar porque o carnaval tá chegando. Tem aquelas que entram na academia dois meses antes, só pra ficarem gostosas para o carnaval. Onde já se viu uma coisa dessas? Agora antes e depois, vai tentar dar um abraço nelas pra você ver. É uma frescura sem tamanho.

Tem também as pessoas que acham que você não gosta do carnaval porque é chato.
Sou de Recife/PE e os locais mais frequentados durante o carnaval são Olinda e Recife Antigo. De manhã, as pessoas sobem e descem as ladeiras de Olinda. De noite, vão assistir os showzinhos no Recife Antigo. Só que eu não gosto de nenhuma das opções. Não suporto Olinda nessa época e não sinto a menor vontade de assistir aos shows no Recife Antigo. Aí vários amigos chegam pra mim e perguntam "E aí, Miguel, não vai nem pro Antigo? Lá é mais calminho". Qual o problema de ser mais calminho? Eu não deixo de sair devido a falta de tranquilidade nos locais. Eu não vou porque realmente não gosto. O carnaval poderia rolar num mosteiro, no maior silêncio e tranquilidade do mundo, que eu não iria do mesmo jeito.

Eu poderia ter viajado pra longe da folia, mas esse ano meus planos não deram muito certo. O jeito então é continuar aqui, descansando e esperando épocas melhores. Não sou de desistir fácil, mas dessa vez eu tenho que assumir:

- Miguel, você perdeu, Playboy.

Playboy? Hum… Acho que acabo de ter uma idéia. Hehe...


Por Miguel Solano em Abrindo a Mochila

Bocejo eterno


O bocejo é uma ação involuntária, na qual abrimos a boca e respiramos fundo. Pesquisas recentes afirmam que este mecanismo ocorre em fetos de 11 semanas de vida. Até certos animais, como cachorros, gatos e peixes, por exemplo, também bocejam.

Quando uma pessoa boceja, abre bem a sua boca, permitindo a inalação de uma grande quantidade de ar. Ao realizar a inspiração, o pulmão se expande, os músculos abdominais são flexionados e o diafragma é contraído. O bocejo também provoca o aumento do ritmo do batimento cardíaco, elevando-o em até 30%. Até hoje, não se sabe exatamente o que provoca o bocejo.

Na próxima vez em que estiver em uma reunião, tente fazer esta experiência: dê um belo bocejo, cubra sua boca só por educação e veja quantas pessoas bocejam também. Há uma boa chance de que você vá disparar uma reação em cadeia.

A verdade nua e crua é que, embora os seres humanos provavelmente bocejem desde que foram criados, ainda não temos a mínima idéia do motivo. Talvez sirva sim para algum propósito saudável, pois é verdade que nos faz obter mais ar e nossos corações batem mais rápido do que o normal, mas os exercícios fazem a mesma coisa.

Fonte: Brasil Escola / HowStuffWorks


Agora que você já sabe um pouco mais sobre o bocejo, vamos a minha grande e idiota teoria... Como você pode notar, o bocejo é uma ação involuntária e que ao ver uma pessoa bocejando ou até falando de tal ação faz com que você repita o mesmo que o outro. Tenho certeza que se você chegou até essa parte do texto, deve ter bocejado algumas vezes...

Minha teoria consiste no seguinte: Você está conversando com outra pessoa e ela boceja casualmente. Enquanto você se pergunta se ela está entendiada com a conversa, percebe que também está bocejando. Isso continua sem parar, passando de uma pessoa para a outra, em um efeito dominó.

Como podemos ler no texto acima, os pulmões enchem de ar e o coração bate mais depressa então eu afirmo que: o bocejo pode matar. Porque, pense comigo, se você boceja, seu amigo boceja fazendo você bocejar em seguida e isso continua no que podemos chamar de ciclo vicioso. Das duas uma, ou você morre com um ataque cardíaco ou com uma explosão nos pulmões cheios de ar...


Viu como é fácil? Agora é só praticar. Com um pouco de sorte, você desenvolve a habilidade de não bocejar ao ver uma pessoa bocejando, ou vendo as fotos nesse post.

A ciência ainda está investigando exatamente o que faz você bocejar, mas esse é um fato bem conhecido e pouco estudado: o bocejo é contagioso e, o mais importante, pode te matar. Espalhe para os amigos e cuide-se. Bocejo mata.

Rodrigo Santos

2011 aqui jaz


É, mais um ano passou e muita coisa aconteceu... termino esse ano com um saldo positivo. Apesar de um valor um tanto baixo, tiveram coisas boas pelo caminho que valem ser lembradas. Há algumas semanas realizei o sonho de toda uma vida, um dos meus sonhos de criança: conhecer a eterna Rainha dos Baixinhos, Xuxa.
Na primeira oportunidade que surgiu de conhecer essa que fez parte da minha vida desde antes mesmo de eu nascer melou, mas acho que não devia ser a hora certa. Sabe como é, peças que o destino prega na gente.

O ano foi marcado por muitas mudanças, pessoais e profissionais. Esse ano me aventurei por um mar desconhecido quando resolvi largar o escritório e trabalhar em outro. Antes de ir, eu estava nas nuvens com as possibilidades e possíveis oportunidades que eu poderia ter, mas é aquela coisa: eu sai do outro escritório, mas ele não saiu de mim.
Quando o meu substituto tentou roubar o escritório, eu voltei a vestir a camisa e fiz o que eu pude pra evitar o tal roubo. Com isso, depois de pouco mais de uma semana, eu voltei para aquele que me acolheu quando nem o Mc Donalds queria.

Sofri algumas perdas esse ano, que embora pequenas, me fizeram parar e repensar meu trajeto até aqui. E quantos erros cometidos... alguns, levei fama de cometer sem tê-los cometido. Me fiz perguntei diversas vezes como lidar com isso até poder chegar aqui hoje e dizer, de coração aberto, que eu fiz o que eu pude e até o que não podia pra não cometer os erros do passado. E tenho total consciência de que fui o mais paciente possível e cometi o menor número de erros que pude.

Não tenho escrito nada aqui desde Novembro, quando os problemas realmente começaram. Quem convive comigo e me acompanha no dia a dia, sabe que meu pai se "casou" de novo e insistiu que minha irmã e eu fossêmos com ele. Confesso que nunca vivi bem naquela casa, a convivência sempre foi difícil, mas engoli todos os sapos pelo meu pai, porque sabia que ele estava bem, se sentia feliz.
 
"Amo a liberdade, por isso deixo as coisas que amo livres. Se elas voltarem é porque as conquistei. Se não voltarem é porque nunca as possuí."

Por motivos banais, a esposa dele o fez escolher entre ela e eu. E para minha surpresa, a resposta está bem aqui, estou escrevendo esse post da casa da minha avó, que chegou hoje do hospital, depois de uma cirurgia e que quer proteger tanto os outros que, às vezes, até nos sufoca.

Se fosse fazer uma retrospectiva rápida começaria com a saída do escritório e depois a volta, o fechamento do restaurante onde almoçava, ser barrado na gráfica onde passava a hora do almoço, perder a companhia de almoço e de volta do trabalho, ter que deixar minha irmã e sair de casa, enfim, o ano não foi tão bom quanto eu esperava, mas fechou bem. Se aquela loira soubesse como ela salvou meu ano...

Para o próximo ano teremos novidades, planejamos uma espécie de reality e apostamos, umas primas e eu, que quem perder mais peso ganharia uma cesta de chocolates. Pode parecer meio contraditório, perder e depois ganhar, mas acredito que seja uma espécie de incentivo, porque perder por perder, acho que ninguém quer.

No próximo ano, que na numerologia vai ser o meu ano, o ano 5, quero fazer tudo que deixei pendente esse ano e fazer tudo que estiver ao meu alcance pra ser feliz de forma verdadeira e plena. Não quero só estar feliz, mas ser feliz...


 "Não escrito na testa quando a pessoa não presta. Só resta esperar, pois o tempo dirá. Quando se ganha um rosa, tão delicada e formosa tem que levar os espinhos também..."

 
Agora só me resta desejar um feliz ano 2012 com tudo de melhor pra você e pra mim...
Até o ano que vem!! Forte abraço.
Ass.: Rodrigo Santos

O preço do táxi


Um indivíduo saiu para jogar bingo com 100 reais. Ao longo da noite, ele perdeu quase tudo: sobraram só 10 reais. Já eram 5 horas da manhã e ele tinha que voltar para casa de táxi.

Ele saiu do bingo e foi até um ponto de táxi, e perguntou pro motorista:

- Oh, mano, eu tenho só 10 paus e tenho que ir até Sapopemba. São 5 da manhã e tá um frio danado... Quebra o meu galho, vai!

O motorista não deu a mínima e falou:

- Eu não trabalho pra sustentar vagabundo que joga dinheiro fora.

O cara ficou pê da vida e, já que estava tudo perdido mesmo, resolveu gastar o restinho no Bingo.

Teve uma sorte dos diabos e ganhou 1000 reais. Pensou consigo mesmo e resolveu voltar para o ponto de táxi. Quando chegou lá, viu que o taxista mal educado estava agora na última posição da fila do ponto.

Chegou para o primeiro taxista da fila e falou:

- Oh, chefe, eu te dou 200 pilas se você me levar pra casa e, no caminho, fazer sexo oral em mim...

O taxista ficou nervosíssimo e quase bateu no cara.

Ele vai no segundo taxista e faz a mesma oferta. Esse também fica bravíssimo e diz que não levava nem a pau.

O sujeito sai fazendo essa proposta táxi por táxi e sempre recebendo a mesma resposta. Finalmente, chega até aquele taxista mal educado, abre a porta, entra no carro e fala:

- Oh, mano, agora eu arranjei grana, pode manobrar o carro e ir pra Sapopemba.

O taxista sai com o carro, passando na frente de todos os outros taxistas. O passageiro cutuca o ombro dele e pede:

- Agora, dá tchauzinho para os seus colegas, dá!

Meio Gay



Todos os meus amigos sempre me acharam meio gay, inclusive eu.
E hoje, pela primeira vez, um amigo me perguntou:

- Qual parte você é gay? A de cima ou a de baixo?
- A de cima!
- E a de baixo?
- Homofóbico!

Respondi de bate pronto e percebi que nunca tinha pensado nisso. E achei genial. Ser gay na parte de cima é:

- Chorar em final de comédia-romântica;
- Adorar os amigos gays;
- Achar filme europeu melhor que americano;
- Amar Caetano, Gil, Gal e Bethânia;
- Sua amiga achar você sapatão;
- Achar Freddie Mercury o máximo;
- Ficar enjoado em barco;
- Somatizar os problemas;
- Ser carinhoso com amigos homens;
- Ser mais româtico do que mulher.

Ser homofóbico na parte de baixo é:

- Não aceitar fio terra;
- Só ter saídas, nunca entradas;
- Pensar com a cabeça de baixo;
- Chutar canela no futebol da galera;
- Não cortar as unhas do pé;
- Não tomar sol de costas em cadeira de praia;
- Nunca subir escada com a ponta dos pés;
- Dormir de valete, quando divide o colchão com outro homem;
- Não ficar nu na frente de gay;
- Ter tesão em mulher acima de todas as coisas.

Pois eu sou assim. Metade macho, metade gay.

por Matheus Tapioca em http://www.farinhademandioca.net